

A confeiteira Suelem Cristina Leandro, 29 anos, paga plano de saúde para ela e os três filhos. Moradora de São José, na Grande Florianópolis, diz que desde a contratação, em 2015, sentiu duas vezes no bolso o aumento da mensalidade, que hoje consome praticamente metade do salário. E, mesmo assim, muitas vezes precisa pagar consultas particulares para garantir o atendimento dos filhos – um deles tem problema cardíaco –, principalmente com fonoaudiólogo, neurologista e psicopedagogo.
– O aumento não corresponde ao que eles oferecem, mas sem não dá para ficar, porque a saúde pública também está ruim.
A queixa de Suelem reflete a situação vivida por usuários no país. Mesmo com a inflação oficial comportada, a variação nos valores cobrados por planos individuais e familiares segue em nível próximo ao teto do reajuste estabelecido pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
Em março, enquanto o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 2,68% no acumulado de 12 meses no país, o indicador referente aos convênios médicos chegou a 13,51%, aponta o IBGE. Ou seja, os planos de saúde avançaram cinco vezes mais.
Apesar de elevado, o aumento das operadoras não estoura o limite fixado no primeiro semestre de 2017 pela ANS, frisa a economista Denise Cordovil, do IBGE. À época, a agência autorizou reajuste nos planos individuais e familiares de até 13,55%, de maio de 2017 a abril de 2018. A correção é feita a partir da data de aniversário do contrato.
Presidente da Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge), Reinaldo Scheibe diz que o reajuste superior à inflação geral é resultado de uma combinação de fatores. Nos últimos anos, segundo o dirigente, o setor ampliou o número de medicamentos e procedimentos oferecidos aos beneficiários. Com o maior uso de tecnologias na área, afirma, os valores dos convênios subiram.
E acrescenta que a maior expectativa de vida do brasileiro – subiu para 75,8 anos, informa o IBGE – também respingou nos preços.
– Quando a oferta de ressonância magnética se tornou obrigatória no país, por exemplo, os consumidores começaram a usá-la, e os preços cresceram. A sinistralidade tem impacto. Quanto mais o serviço é utilizado, maior o valor – diz Scheibe.
A ANS evita comparar o IPCA médio com a variação dos planos e argumenta que o setor tem custos adicionais de operação: “não é impactado apenas pela demanda e oferta, como ocorre em outros setores econômicos”.
Entidade vê falta de clareza em contratos
Além das opções individual e familiar, há também os planos coletivos, que representam maioria no mercado. Nessa modalidade, os reajustes são definidos após negociação direta entre as operadoras dos convênios e as empresas que contratam os serviços para funcionários, sem a regulação da ANS.
Por não haver limite estabelecido, muitos planos tiveram correções superiores a 20%, segundo a advogada Ana Carolina Navarrete, do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec):
– O reajuste máximo de 13,55% para contratos individuais também foi definido após cálculo da média dos avanços dos convênios coletivos. As operadoras costumam argumentar que os gastos tendem a aumentar por conta do uso de novas tecnologias.
Mas é difícil analisar os reajustes, as operadoras não oferecem instrumentos para verificá-los e falta clareza nos contratos, critica Ana Carolina.
Para Scheibe, é impossível definir um reajuste máximo para convênios coletivos, porque cada um desses planos tem características próprias, o que inviabilizaria um único índice.
Quantidade de usuários oscila durante a crise
O número de beneficiários de planos, incluindo contratos individuais, familiares e coletivos, caiu em 2017 pelo terceiro ano no país, segundo a ANS. Em Santa Catarina, no entanto, depois de dois anos de queda, o setor teve uma leve retomada. Depois de perder 36,9 mil beneficiários, os planos de saúde do Estado recuperaram 22 mil no ano passado, atingindo um contingente de 1.505.927.
Durante a crise, o número de reclamações relacionadas a planos de saúde cresceu, principalmente sobre reajustes de convênios coletivos, afirma a coordenadora-executiva da Associação de Defesa dos Usuários de Seguros, Planos e Sistemas de Saúde, Renê Patriota.
Conforme a ANS, o novo reajuste dos contratos individuais e familiares deverá ser anunciado até o fim deste mês. Scheibe projeta que a correção não passará dos atuais 13,55%.
| Cookie | Duração | Descrição |
|---|---|---|
| cookielawinfo-checbox-analytics | 11 months | This cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookie is used to store the user consent for the cookies in the category "Analytics". |
| cookielawinfo-checbox-functional | 11 months | The cookie is set by GDPR cookie consent to record the user consent for the cookies in the category "Functional". |
| cookielawinfo-checbox-others | 11 months | This cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookie is used to store the user consent for the cookies in the category "Other. |
| cookielawinfo-checkbox-necessary | 11 months | This cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookies is used to store the user consent for the cookies in the category "Necessary". |
| cookielawinfo-checkbox-performance | 11 months | This cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookie is used to store the user consent for the cookies in the category "Performance". |
| viewed_cookie_policy | 11 months | The cookie is set by the GDPR Cookie Consent plugin and is used to store whether or not user has consented to the use of cookies. It does not store any personal data. |